Era uma vez, uma menina. Alice, era o seu nome. De uma aldeia pequena e acolhedora que se chamava “Can Tiño”. Ela transbordava alegria, em cada movimento que fazia. Quando sorria, quando falava, quando cantava, quando dançava, quando suspirava, quando tocava, quando beijava, quando amava. Era uma menina doce, que baloiçava os seus cabelos longos e claros pelas ruas. Encantava todos à medida que passava. O seu sonho era descobrir um novo mundo, novos olhares para encantar, novos amores. Como os seus pais sempre lhe contavam nas histórias de príncipes e princesas. Um dia, de uma terra distante, apareceu alguém. Um menino. Um tocador de flauta de calções azuis. Apaixonou-se por Alice, no primeiro olhar. Tornaram-se amigos e com o passar do tempo, tornaram-se muito mais. Passeavam. Davam as mãos. Um beijo escondido. Ouviam a música dos passarinhos. Tentavam descobrir o segredo das estrelas. Alice adormecia ao som contagiante da flauta do menino. Uma entrega total, mutuamente natural. Apaixonaram-se e estavam nas nuvens. Até que um dia inesperado, aconteceu o pior. A menina partiu, deixando um bilhete. Havia sido prometida. Prometida a algo que era tudo, menos aquele menino, aquela aldeia. Havia sido prometida ao sonho de criança. Ao novo mundo. O menino, ficou profundamente desolado. Sozinho. Solitário. Só. Foi para o jardim onde costumavam ir, acompanhado só pela flauta. Sentou-se e começou a tocar, à espera. Tocou. Esperou. Porque sentia que um dia, ela iria voltar. Um dia, iria querer voltar sentir o seu olhar, que superava todos os outros. Ouvir o som da sua flauta mágica. Beijá-lo. O menino esperou e tocou e esperou e tocou e esperou.

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